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Prova de amizade

Para você, o que é ser um amigo de verdade?

Dizem por aí que a amizade é um dos sentimentos mais nobres envolvendo o ser humano. Mas se é assim, por que tantas vezes é colocado a prova? Vamos primeiramente entender o fato de que por mais que se goste de uma pessoa, os conflitos sempre existirão. Por exemplo, não é porque você tem um super amigo que necessariamente vocês precisam concordar em tudo. Definitivamente mais vale que seus valores sejam parecidos do que as opiniões, essas podem divergir por questões de personalidade, pontos de vista, maturidade ou qualquer outro motivo que não desabone o carinho e respeito que um tem pelo outro. Anota aí: ter tolerância para lidar com as diferenças é o segredo para o sucesso de qualquer relacionamento.

Ainda não conheci alguém que não tenha pelo menos um (grande) amigo, pois faz parte da natureza a interação com as pessoas e os laços que são criados. Existem os amigos de infância, os amigos que são familiares, os amigos da escola e depois os da faculdade, os amigos de festas, os do trabalho… E mesmo com tantos ambientes propícios para se fazer amizade, sempre me chamou atenção uma frase enfática da minha mãe: “ao longo da vida você conseguirá contar em apenas uma mão quem são seus verdadeiros amigos”. Confesso que quando era mais nova me sentia muito incomodada com essa afirmação, vivia me perguntando o motivo da gente não conseguir manter essas pessoas para sempre ao nosso lado.

A resposta para essa indagação veio depois de alguns anos quando finamente entendi que entre duas pessoas que se declaram e se consideram amigas existem infinitas nuances. Um afastamento pode acontecer por várias questões como: distância, relacionamentos amorosos fechados, falta de tempo para mandar uma mensagem só para a outra pessoa saber que mesmo longe você se importa, orgulho, mal entendido, e até mesmo por uma simples escolha. Às vezes, gostamos muito de uma pessoa mas começamos a sentir que já não temos mais assuntos em comum, nem afinidade e a vontade de estar perto deixa de existir. E tudo bem isso acontecer, de maneira alguma te faz um ser humano pior, o que acontece é que nem sempre estamos na mesma fase da vida ou em sintonia para seguir compartilhando momentos. Acredito que um tempo longe (mesmo que não exista uma conversa para oficializar a ruptura) é saudável para que as duas partes possam se renovar e retomar a amizade mais maduras e experientes.

Ressalvo que os exemplos a pouco citados não justificam atitudes de egoísmo, falsidade e deslealdade com um (ex) amigo. Se você bate no peito para intitular uma pessoa como sua amiga, siga sendo legal com ela mesmo que a situação mude e você deixe de considerá-la parte do seu círculo social.

Mas voltando a pergunta inicial, o que te faz ser um bom amigo? Ou seja, qual característica deve ter esse tal amigo de confiança digno de ser considerado um irmão? Será que “prova” de amizade é se declarar publicamente no Facebook? É ser parceiro nas festas mais loucas? É fazer uma viagem e não brigar? É relevar os defeitos e as teimosias? É se considerar íntimo porque abre a geladeira da casa do amigo quando está com fome? É estar nos momentos de tristeza? Será? Com tantas opções para designar um amigo de verdade, me arrisco a dizer respaldada por uma palestra do professor e historiador Leandro Karnal que amigo não é necessariamente quem se enquadra em algum desses itens e muito menos quem está presente exclusivamente em horas difíceis.

Como não, Paula? Baseado em que você afirma tal absurda questão?

Bem, como já disse, Leandro Karnal fez uma afirmação que pareceu-me extremamente condizente e, por isso, provocou em mim uma profunda reflexão. Segundo ele, um verdadeiro amigo não é aquele que segura sua mão em momentos dolorosos, pois estar presente em situações ruins é muito mais um ato de caridade do que de amizade. É natural do ser humano se compadecer do sofrimento alheio e se identificar. As pessoas se unem muito mais em circunstâncias negativas do que positivas. Prova disso é o ditado de que duas pessoas se tornam amigas ao descobrir que em comum não gostam de uma terceira. Para descobrir, de fato, quem é seu amigo, basta contar algo bom que aconteceu ou irá acontecer e analisar bem a expressão facial da pessoa. Amigo que é amigo fica verdadeiramente feliz em ver a sua felicidade, não compete e nem conta vantagens. Achar alguém que não se incomode com seu sucesso e entenda que o sol nasceu para todos é algo muito raro.

Amigo que é amigo quer sempre te ver bem, independente de qualquer coisa. Saiba diferenciar quem quer seu bem genuinamente de quem quer o seu bem mas apenas se estiver melhor que você. Ter essas questões claras ajuda muito a evitar conflitos e reconhecer quem está ao seu lado pelo simples motivo de te amar e aceitar quem você realmente é. Identificar por mais que não pareça é fácil, basta olhar dentro dos olhos do outro e deixar que as boas energias se conectem. A afinidade vale mais que mil palavras!

E você já sabe quem são seus verdadeiros amigos? Faça um balanço a respeito e me conte nos comentários suas experiências com as suas amizades. Lembre-se: mais vale a qualidade do que a quantidade!

Prova de amizade

Um comentário sobre “Prova de amizade

  1. Contar uma experiência de amizade?! Bom, com a dona deste blog mesmo, eu poderia contar várias (pois ela é uma das amigas que conto nos dedos da mão); como quando por exemplo, no dia mais triste da minha vida, que foi no dia em que perdi meu pai, minha amiga (irmã) Paula prontamente se fez presente e nenhuma dificuldade a impediu de estar ao meu lado. Mas por que estou dando este exemplo? Porque eu até concordo que amigo verdadeiro é aquele que vibra com os nossos momentos sem querer competir, sem ter inveja e etc. Mas eu também acho que nos momentos mais difíceis da vida, como a perda de um ente querido, por exemplo, conseguimos ver claramente quem são os amigos que estão ao nosso lado para o que der e vier. Eu não acho que atualmente seja fácil as pessoas se padecerem com as dores das outras não; acho que muito pelo contrário; está faltando mais mão estendida e amiga naquelas horas em que “o bicho realmente pega”. Na morte do meu pai pude perceber isso…muitas mãos que eu achei que seriam estendidas pra mim, nem mesmo de longe fizeram algum sinal. Enquanto isso a mão da Paula, foi uma das que mais conseguiu consolar meu coração.

    Te amo, amiga.

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