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Viver com “los hermanos”

Oi gente! 

Essa postagem é muito especial, é o relato do Lucas, um grande amigo que mudou-se para Buenos Aires com o objetivo de estudar medicina e aventurar-se pelos surpreendentes caminhos da vida. Vale muito a pena conferir!

Em Janeiro de 2016 tomei uma decisão que mudaria minha vida de forma radical. Mudar-me para outro país. Recomeçar a minha vida do zero, em um lugar totalmente diferente, onde ninguém me conhecesse e tudo inspirasse novidade. Afinal, aquele que nunca teve esse sonho que atire a primeira pedra. Os motivos para tal mudança, embora muito importantes para mim, não são relevantes para o objetivo deste post. O destino escolhido? Buenos Aires, Argentina.

Meu nome é Lucas, tenho 25 anos, sou publicitário por acaso da vida, estudante de medicina por vocação e há oito meses troquei a tranquila Rua Pedro Natalício de Moraes, no bairro Buritis, em Belo Horizonte, pela movimentada e charmosa rua Riobamba, em Balvanera, Capital Federal Argentina. É com grande prazer que compartilho com vocês um pouco da minha experiência de viver com “los hermanos”.

A intensidade da minha chegada foi muito grande, afinal de contas foi a primeira vez em que saí do Brasil. Tudo era maravilhoso e assustadoramente novo. Prédios italianos, franceses, espanhóis. Construções modernistas, torres de vanguarda, paredes com personalidade. Definitivamente, a arquitetura é um dos aspectos que tornam Buenos Aires uma cidade singular.

Além disso, a capital argentina é de longe a cidade mais arborizada e bem cuidada que tive a oportunidade de conhecer até agora. Se há algo pelo qual os argentinos prezam muito, é por qualidade de vida. Os parques e praças são impecavelmente bem conservados e movimentados diariamente. Nos finais de semana é quase impossível encontrar espaço para uma pequena corrida. Ter uma vida esportivamente ativa é contagiante por aqui.

Sabe aquelas bicicletas, geralmente com a marca do banco Itaú, que há em algumas cidades brasileiras? Pois então, aqui também tem, mas não pertencem a nenhum banco ou marca, são da própria cidade. Totalmente gratuitas. São milhares delas, espalhadas por toda capital. É só fazer um cadastro rápido e retirar uma. E é incrível a quantidade de pessoas que usam as magrelas todos os dias.

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Mas como bom brasileiro que sou, sinto muita falta do nosso arroz com feijão básico. Na minha humilde opinião, a culinária não é um ponto forte da Argentina. A carne, mundialmente famosa, principalmente pelo tratado que o país tinha com a Inglaterra há alguns séculos atrás, onde tinha que exportar grande parte da sua produção para a Europa, é um atrativo. Sem dúvidas o “bife de chorizo”, que é um bife suculento que nada tem a ver com o chouriço brasileiro, é irresistível. No entanto, as opções para o almoço geralmente são frango ou carne acompanhados por batata (frita, assada ou purê). Para quem tem uma vida mais corrida existem as empanadas (que são um tipo de salgado assado), tortas ou os terríveis fast food, que infelizmente acabam virando uma opção constante. Pizza também entra na lista (embora não exista grande variedade de sabores, como no Brasil. Frango com catupiry? Nem em sonhos. Saudades, inclusive!)

Para o café da manhã e merenda da tarde as famosas ‘facturas’ são praticamente obrigatórias. São em grande maioria feitas de uma massa folheada, leve e amanteigada. Simplesmente viciante! Algumas ainda vêem recheadas com ‘membrillo’ (uma espécie de goiabada argentina) ou doce de leite, que é inclusive um grande atrativo gastronômico do país. Mesmo sendo mineiro eu tenho que admitir, o doce deles é melhor que o nosso. Eu sei que parece absurdo, mas só provando para entender.

Uma coisa que sempre me chamou muita atenção é o fato de ser praticamente impossível encontrar um cachorro de rua por aqui. Argentino ama um totó. Genial, né?! Infelizmente nem todos limpam a sujeirinha dos seus pets, o que nos obriga a andar com um pouco mais de atenção. Em contra partida é assustador a quantidade de moradores de rua espalhados pela cidade.

Ainda não consegui definir se nós brasileiros somos muito abertos ou os argentinos muito fechados. Mas fui surpreendido com o comportamento geralmente frio do pessoal por aqui. O que não é de tudo negativo. Calma que eu explico: argentino não se importa muito com a vida alheia. Você pode se vestir como quiser, tingir os cabelos com as cores do arco-íris ou ser homossexual e não ter que se esconder por isso. Ninguém te olha, te julga ou se dá o trabalho de intrometer-se na sua vida fazendo algum tipo de comentário maldoso. Eu, particularmente, nunca me senti oprimido aqui, de forma alguma.

Óbvio que como em todos os lugares do mundo, nem tudo por aqui são flores. A economia, por exemplo, vai de mal a pior e há anos Buenos Aires já não é mais o paraíso de compras que aqueles que visitaram a cidade até 2010, mais ou menos, pregavam. Só esse ano o valor do transporte público subiu duas vezes. O metrô que em março era menos de 3,00 pesos argentino agora custa 7,50. Mas apesar dos pontos negativos da cidade, que honestamente não são tantos, eu tive muitos motivos para me apaixonar por Buenos Aires. Me apaixonei pelo clima, pelas divertidas tardes no parque com as pessoas incríveis que conheci aqui, pelas ruas cheias de vida pelas quais passo todos os dias a caminho da faculdade, pelo sorvete de domingo… em cada pequeno detalhe que me rodeia, eu me encontrei. Buenos Aires é uma cidade que inspira arte, liberdade, romance… o lugar perfeito para ser quem você realmente é, sem medo. Pelo menos é o que eu sinto diariamente.

E se eu puder deixar um conselho sobre essa minha experiência, eu me limitaria a dizer: se você pensa em conhecer outro país ou morar fora por um tempo, não tenho medo de se arriscar e entrar de cabeça nessa aventura. Apenas tenha cuidado com o destino que você irá eleger. Você também pode se encontrar neste lugar e não querer voltar nunca mais.

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