ideia

Empreendedorismo: necessidade, arte ou vocação?

Para responder a pergunta do título afirmo que não é necessário escolher apenas uma alternativa, pois empreender requer muito mais que respostas prontas e motivos vazios. Aliás, vazio é o que não têm dentro do coração e da mente de um empreendedor. Segundo o escritor Augusto Cury “Quem não é um pouco ansioso, minimamente, não consegue ser uma pessoa empreendedora”. Depois que li essa frase, imediatamente me senti compreendida. Sempre fui inquieta, observadora e, por isso, conseguia fazer conexões impensadas. Além disso, minha criatividade fluía facilmente, qualquer relato poderia ser incrementado a ponto de virar um roteiro de cinema e qualquer produto poderia virar um super negócio. Conseguia sempre encontrar uma boa solução e acho que até hoje é assim.

Uma pesquisa feita em Case Western Reserve University em parceria com King’s College London afirmou que nossos genes podem sim influenciar na decisão de abrir uma empresa, e ainda frisou que algumas características inerentes como ser resiliente, questionadora e estar aberto ao novo são fatores determinantes e essenciais ao empreendedorismo. Sem falsa modéstia me reconheço nessas características, pois sou movida a desafio e principalmente a doses de ousadia.

Minha primeira iniciativa como empreendedora aconteceu ainda na adolescência. Sempre gostei de ser independente e pedir dinheiro toda hora tendo que dar explicações me incomodava muito. Meus pais não me davam mesada, mas sempre que precisava de algo tinha total liberdade para pedir e na medida do possível eles me atendiam. No entanto, pensando em virar o jogo, certo dia resolvi que teria meu próprio dinheiro e para isso abriria um negócio. Havia acabado de completar quinze anos e cursava o primeiro ano do ensino médio, não tinha nenhuma qualificação e também não queria trabalhar no comércio com horários rígidos para não atrapalhar os estudos. Foi então que tive a ideia de vender bombons. Afinal, quase ninguém na cidade fazia a não ser por encomendas, e ter doces pronta entrega poderia ser uma boa oportunidade para conquistar clientes e obter sucesso no meu empreendimento.

Para dar inicio aos meus planos, fui a uma loja de festas e comprei forminhas, embalagens, chocolate para derreter e leite condensado para preparar os recheios. A primeira receita fiz apenas dois sabores para testar: coco e brigadeiro. Vendi todos os bombons no primeiro dia e ainda saí lucrando uma boa margem acima do dinheiro investido. Dessa forma, fui fazendo bombons toda semana, vendia na escola e em pouco tempo tinha uma clientela diária e garantida. Semanalmente produzia centenas de bombons para vender sob encomendas, na escola e na feira que acontecia todos os sábados na minha cidade.

O negócio foi crescendo e a necessidade de aumentar o leque de sabores e de produtos também. Passei a fazer bombons  com recheios de abacaxi, castanha, amendoim, morango, trufa, nozes, chocolate branco, brigadeiro e coco. Além de doces de festa infantil como: alfajor, pirulitos de chocolate moranguinho, cajuzinho, beijinho entre outros doces que fizeram a cabeça – e o paladar – de muita gente. Na época morava em uma cidade do interior e rapidamente fiquei conhecida como a menina do bombom. Tive que aprender a conciliar meu tempo, padronizar meus sabores, caprichar nas receitas e nas embalagens. Confesso que foi uma época bem trabalhosa, mas ao mesmo tempo extremamente recompensadora e prazerosa em muitos sentidos, tanto pelo dinheiro quanto pelo fato de ter sempre ocupação e responsabilidades.

Depois do período de mais de dois anos trabalhando como doceira,  eu já havia adquirido experiência e popularidade a ponto do meu pai me propor comprar máquinas para otimizar meu tempo e serviço. Porém, a essa altura dos acontecimentos, meus objetivos de vida tinham mudado completamente e meu foco principal passou a ser o vestibular. Meu sonho (e verdadeira vocação) era cursar comunicação, coisa que realizei após concluir o curso de Letras.

Naquele momento acreditei realmente que o melhor era “encerrar” minha jornada como doceira e traçar novos rumos. Jamais tive medo do novo e, hoje, dez anos depois da minha primeira experiência como jovem empreendedora sinto-me completamente pronta para encarar novos desafios como empreendedora, mas dessa vez em um ramo diferente. No momento minha frase dominante é: “tudo na vida é a base de tentativas. Se você não tentar, você não irá saber se aquilo era para ser vivido ou não.”

Enfim, seja por necessidade, arte ou vocação nunca deixe de lutar pelos seus objetivos, pois o céu é o limite!

E você assim como eu tem alguma história de empreendedorismo? Deixe nos comentários!

Empreendedorismo: necessidade, arte ou vocação?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *