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Doces constatações…

Ao longo dos anos aprendi que você só pode fazer uma verdadeira afirmação depois que consegue se distanciar completamente de uma situação. Não estou falando do final de semana que você brigou com seu namorado, disse que estava TUDO acabado e depois saiu batendo a porta do carro. Isso nada mais é que o impulso do momento ou drama, se preferir.

Não, senhores!

Uma boa constatação que vai te elevar e amadurecer como ser humano só pode ser dita após a poeira baixar e tudo voltar ao seu devido lugar.

Se você afirma que fulano é o amor da sua vida em meio ao torpor da paixão, me desculpe por destruir suas ilusões, mas você não sabe o que diz. Enquanto o envolvimento e o contato carnal estão à flor da pele é quase impossível recapacitar. A constatação e a certeza de que você, de fato, quer para sua vida aquela pessoa só vem com o passar do tempo. Para saber com alguma segurança é necessário que a paixão dê lugar a outros sentimentos.

Da mesma forma, não adianta com dezessete anos você dizer pra sua mãe que quer fazer jornalismo e bater o pé que é aquilo e ponto, até porque pouquíssimas pessoas sabem o que querem para a vida nessa idade. Eu não sabia. “Mas Paula, eu quero ser médica desde que eu era criança!” Bem, se é assim, eu te dou parabéns e espero do fundo do coração que dê tudo certo. Mas se a sua vocação ainda não está aflorada, não se preocupe em tentar, em desbravar caminhos e a errar também, ok? Sem neuras! Entenda que para construir uma trajetória não é necessário se fixar como se na vida só existisse uma alternativa pra cada coisa. Eu te pergunto como você pode decidir o que quer fazer por TODA a vida se você não viveu tudo, se não tem um telão ou um script te informando detalhadamente o que vai acontecer? Então, calma! Espera! E aprenda que o apressado (na maioria das vezes) come cru!

Sabe o que não é certo? Viver de imediatismo. Sim, já fui impulsiva e quase sempre deu tudo errado. Não que hoje eu não seja, mas a diferença é que já comecei a procurar entender qual é o número entre o 8 e o 80 que me possibilita viver com um pouco mais de equilíbrio e sensatez.

Outra coisa que está completamente por fora é fazer afirmações em momentos de total impulso, por exemplo:

“Nunca mais como doce de abobora!”

Duvido que não come! Come sim e ainda repete! Já repararam como a expressão “nunca mais” é patética? Quem aí já soltou um “nunca mais” e acabou cumprindo que jogue a primeira pedra! “Ah, nunca mais eu bebo igual bebi hoje…” Igual não, mas faz pior da próxima vez, né? Tenho certeza! Te conheço!

Quando eu tinha quinze anos disse que nunca mais olharia para o menino que eu era afim por causa de uma treta qualquer. Tudo bem que demorou alguns bons anos… Mas o importante é que hoje consigo olhar e até admirar. Mas isso não quer dizer que eu tenha algum interesse nele inda. Pensa bem, não é muita maturidade? Isso de dar muitas certezas é uma grande bobagem e uma verdadeira perda de tempo. Se eu puder dar um conselho: vai vivendo e aprendendo que é a melhor solução. Te desafio a olhar para trás, recordar e anotar as suas certezas e verdades, garanto que a maior parte já estão consideravelmente ultrapassadas.

Nunca, jamais e em tempo algum só servem para acrescentar no dicionário e no vocabulário.

A vida real é muito mais complexa.

Se eu não sou eterna, imagine minhas doces constatações…

Doces constatações…

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